(Sugestão de música para ouvir durante a leitura: O Mundo da Criança, de Toquinho)

Existe um pássaro que se chama Manon.

Ele choca os ovos de outras aves que costumam abandonar os filhotes. Tem comportamento dócil e convive em perfeita harmonia com outras espécies. O ditado é antigo: “coração de mãe sempre cabe mais um”. E em ninho de Manon sempre há lugar para filhotes.

Sou mais ou menos assim; me identifico com os cuidados, amor incondicional e reflito muito sobre como vou ensinar minha filha a trilhar um caminho de luz, respeito, amor ao próximo, criatividade e paz. A vida não nos ensina a ser mãe, mas nos dá a sensibilidade e a capacidade de observação para que possamos sentir e agir.

Estudei em uma escola que na época era de vanguarda em alguns aspectos; imaginem vocês, no interior do Rio Grande do Sul, uma escola que tinha no seu currículo, aulas de teatro, música, artes, expressão corporal, assembléias semanais, enfim, muito além do que era vivenciado por outras crianças. Em contra-partida era uma escola muito rígida e confesso que durante muitos anos questionei o “lema da escola”, sim porque tínhamos que saber o lema da escola, a história de fundação, assim como o hino da mesma, o qual nunca nos esquecemos. O lema era assim: ”Educar a mente a pensar, o corpo a agir e o coração a sentir”. E eu me perguntava… porque o coração tem que ser o último? Se é dele que vem o amor, se é através do coração que somos mais genuínos… porquê?

Anos depois, durante minha vida profissional aprendi com uma senhora muito vivida que deveríamos agir diariamente da seguinte forma: Sinta, pense e, somente, depois faça. Então, me remeti para a questão e senti que agora, sim, tudo fazia sentido.

Por que tudo isso?

Porque hoje muitas de nossas crianças não escutam o coração; o tempo todo estão sendo levadas para a ação, sem nem ao menos, sentirem e pensarem se querem, se gostam e se realmente é o melhor caminho?

Por esse motivo quero uma escola para minha filha , genuinamente, tem um coração explodindo de sentimentos e uma mente inquieta de criatividade, questionamentos e, porque não dizer, de (re)ações impulsivas baseadas nas suas vivências.

Quero uma escola onde minha filha e todas as crianças possam ser, possam pensar e possam agir em harmonia com os demais, sem rótulos, prevenções e ”preconceitos “.

Quero uma escola onde a matemática esteja na horta, a arte esteja na cozinha, a história seja contada e faça sentido, onde o português seja a base para a comunicação no teatro, e assim os “conteúdos” sejam recheados de realidade diária. Dessa forma, sim, nossas crianças aprenderão com prazer e poderão, cada vez mais, continuar construindo um mundo melhor.

Quero uma escola onde a cooperação seja a base da vida; a competição exista como uma forma de incentivo, mas não como uma forma de sustentação.

E por fim quero uma escola para que as pessoas vivam em paz, criem em harmonia, aprendam com vontade e sejam, realmente, amorosas umas com as outras.

Assim, nossos filhos poderão alçar seus vôos com maior confiança e determinação enfrentando, até mesmo, as intempéries da natureza.

Um grande beijo à todas as mães que, assim como eu, buscam uma nova escola!

Texto escrito por: Glaucia da Costa Alvarez