Minha verdadeira transformação iniciou em julho de 2005, em pleno inverno com temperatura de 30 graus em Porto Alegre. Foi assim que ele chegou: trazendo calor e amor!

Há quase 10 anos minha vida se tornou mais divertida e cheia de luz. Desde lá, descobri coisas interessantes: que assistir formigas caminhando é um evento importante, que passarinhos roubam os pães que atiramos no lago pros peixes, que qualquer criação merece um vernissage (no próprio quarto), que mudar uma receita e misturar ingredientes loucos numa tarde de chuva é melhor que bolinho de chuva, que andar de bicicleta não precisa ser em linha reta e só dobrar na esquina, mas pode se tornar uma brincadeira de “packman”, que as caixas vazias do supermercado servem pra tudo, menos pra encaixotar coisas, que as bolinhas de gude me logram, pois só vem as “bolinhas” – e cadê o “gude” (?) – e a minha mais interessante descoberta desta década: que o adulto não é o detentor do saber!

Como assim? Até 2005 me foi apresentado que o adulto coordena/descoordena, diz o quê e quando é para fazer, como deve ser feito, o que está certo e como deve-se pensar (com direito a punição!).

Quem ousou ao contrário????

Pois é, foi justamente numa leitura sobre a educação que me foi mostrado o contrário.

Há muitos anos conheci uma educação diferente, baseada no amor, na autonomia de pensamento, no verdadeiro respeito à criança. Conheci a Escola da Ponte.

Em estudos nos últimos meses descobri escolas diferentes no Brasil, que romperam a barreira do ensino tradicional que há séculos domina, trazem à luz uma educação pensada a partir do profundo respeito por todo ser humano!

Mas aí me deparei com uma cruel realidade: a maioria destas escolas fica a 1.200km da minha casa…. Foi com desalento que conclui a inviabilidade da matrícula nestes locais: Projeto Âncora, Amorim Lima , PoliteiaMaria Peregrina e, ainda, a Escola Viva de Piracanga (a mais de 2.000 km da minha casa!).

Então, me permiti sonhar com um espaço transformador e inovador aqui mesmo, em Porto Alegre… dividi e somei meu sonho com meus amores e meus amigos. E este sonho viabilizou uma busca diária por uma educação mais feliz, onde as bases são as relações amorosas e dentre os desafios, projetos e diálogos rotineiros, todos criam e aprendem juntos, e também redescobri que “o detentor” do saber somos todos nós. Já o conhecimento, bom, este transita por espaços e tempos sem fim.

E, assim, “fomos todos felizes para sempre”… pois lutar por esta causa já me torna uma pessoa mais feliz!

Texto escrito por: Luciana Celia