Da educação que recebi na vida, felizmente tenho ótimas recordações com minha família e amigos. Tive o privilégio de passar o “ensino infantil” com minha avó, meus pais, meu irmão e a Mari. Estudei o “1º grau” numa escola de freiras; lembro de algumas amizades, da horta, do curso de chás da irmã Berta, de um trabalho que tirei 10, porque misturava tudo o que eu gostava e tinha vontade de aprender, naquele momento: artes plásticas, literatura e adolescência. O “2º grau” foi numa escola conceituada por ter maior aprovação no vestibular, me sentia como um animal sendo adestrado, recebendo a recompensa de entrar na faculdade. No ensino superior fui reconhecendo possibilidades de escolha. Na especialização, foi onde comecei a me interessar pela educação/saúde. Porém, os maiores aprendizados foram com livros, viagens, com os relacionamentos, vivendo em grupo e/ou com grupos.

Hoje sou mãe. O Pietro é meu filho mais velho, tem 6 anos. Foi incrível o nascimento da maternidade, e indescritível. Meus conceitos sobre educação foram se transformando. Quanto amadurecimento e maior consciência um filho nos proporciona! Ele é vida!

Percebi que a educação recebida nas escolas não ajudara a me sentir viva de verdade, conectada com o meu cerne, a minha essência, tampouco com o mundo ao meu redor.

Eu e meu esposo queríamos algo mais puro e real para proporcionar a ele.

A busca por escolas foi grande e difícil. Pensávamos em diversas pedagogias (do militar com sua disciplina a waldorf com valores naturais), e também pensávamos no lado prático (custos, horários, distância). Por fim, nenhuma estava dentro do que sonhávamos de melhor para o nosso filho, sem interferir demais nas nossas escolhas individuais.

Qual seria a solução?

Inconformada, busquei algo novo. Conversando com a amada Juliana Corullón, tive novos olhares e expectativas. Ela me apresentou a Escola da Ponte e o José Pacheco. Me apresentou também, a ideia de desescolarização. Mais uma vez, meus conceitos foram se modificando radicalmente.

Em outubro de 2014, a Joana, minha segunda filha nasceu …linda! E a Juliana, a dinda, estava conosco no momento do parto, uma linda conexão entre nós três, em casa, de madrugada, no âmago da criação maior, a VIDA.

No mesmo mês e ano, a Ju traz o José Pacheco para POA com a intenção de criar uma nova escola para nossos filhos e de todos que buscam o mesmo que nós: educar seres humanos, íntegros, amorosos, pela paz.

Gosto de sentir a relação do nascimento da Joana com o nascimento do princípio da escola; gosto de acreditar que ela entende onde quer aprender e me ajudou a encontrar o caminho; gosto de imaginar que ela confortava o Pietro e o Lucano (filho da Ju, amigo do Pietro) nos sonhos deles, dizendo que um lugar melhor para aprender será criado em Porto Alegre com a ajuda das mamães.

E esta é minha tarefa, ajudar a criar um lugar melhor para aprender e compartilhar conhecimentos com crianças de todas as idades, classes sociais, cor, credo, com ou sem diagnósticos médicos, etc.

Em 2015 estou no meio de um grupo de mães maravilhosas, amorosas, criativas, guerreiras como a Luciana, a Glaucia, a Raquel…

Conheci o Thiago Berto com uma nova proposta a “Cidade Escola Ayni”. Conheci o Felipe e a Rafaela, que ainda não são pais e já estão engajados.

Aos poucos, o grupo foi se modificando, pessoas vem, pessoas vão, pessoas continuam juntas e assim está se fazendo um novo fluxo, uma nova escola para todos!

Gratidão à vida e aos viventes!

Texto escrito por Helenise Sartori