Maternidade e educação caminham juntas. Encontrar o equilíbrio entre o que nós queremos e sonhamos para nós e nossos filhos, e o que a realidade da maioria das escolas de hoje nos oferece é, sem dúvida, um grande desafio!

Como muitas das mães aqui reunidas, sinto que tenho a missão de colaborar de alguma forma para ajudar a construir um novo modelo de escola em Porto Alegre. Um modelo que rompa com velhos paradigmas que seguem vigorando nas escolas que conhecemos, mesmo naquelas que se dizem menos tradicionais, e que traga uma nova visão de mundo, mais de acordo com as reais necessidades de nossas crianças. Sou uma mãe buscadora!

A busca por escolas para meu filho, os caminhos que ele mesmo me aponta, as conversas com outras mães amigas e familiares, os estudos, os encontros e desencontros,  levaram-me a conhecer outros modelos de educação escolar, tais como a citadíssima Escola da Ponte (de Portugal), o Projeto Âncora (de Cotia-SP), a Escola Viva Inkiri (de Piracanga-BA), o Projeto Cidade-Escola Ayni (de Guaporé-RS), e tantos outros que me despertaram um novo encantamento pela educação. Essa busca me aproximou de pessoas queridas, me trouxe de volta novos sentidos, novos interesses, novos questionamentos. Pude reavaliar meu próprio histórico escolar, compreender melhor as minhas insatisfações, as insatisfações de meu filho e de tantas outras crianças com quem convivo. Me trouxe outra forma de ver e viver a vida,  permitindo-me olhar para dentro de mim mesma e ressignificar o valor do aprendizado, do que realmente importa, refletir sobre valores fundamentais que estão se perdendo, e a chance de colocar o foco no momento presente e, não, no futuro.

Muitas crianças estão sofrendo hoje em suas escolas porque as mesmas não acompanharam a evolução das novas gerações. Nunca se ouviu falar tanto em bullying, em distúrbios de comportamento, em troca-troca de escolas, em evasão escolar. Nunca se indicaram tantas terapias para crianças, nunca se receitaram tantos medicamentos! O que está havendo com nossas crianças? Ou melhor, o que há de errado conosco? Será que nós, será que as escolas estão oferecendo realmente aquilo de que nossos filhos precisam para se sentirem livres e plenos e poderem ser ELES mesmos, capazes de manifestar todo o seu potencial individual?

A escola culpa a educação dada pelos pais, os pais culpam a educação dada pela escola e também a educação dos outros pais, e ninguém se entende. Existe muito pouco diálogo empático, e no meio disso tudo está a criança, ávida em nos mostrar o caminho que nós, adultos, temos dificuldade em enxergar e seguir, porque fomos programados nas nossas escolas para ser o que a sociedade esperava que fôssemos e, inconscientemente, seguíamos como robôs.  Será que são nossos filhos que estão com problemas? Será que estamos sabendo perceber o que eles estão sentindo? Será que estamos ouvindo o que estão querendo nos dizer? Será que a educação mudou tanto assim da nossa época para cá?

As pessoas estão cada vez mais egoístas, pensando apenas em si mesmas, em seus interesses próprios. Pouco se pensa no coletivo. O problema de um parece não afetar / tocar realmente o coração do outro. Não há espaço nas escolas para a inclusão social, não há espaço para as pessoas com deficiência, não há espaço para o diferente. O que impera é a tal da “normose”, pois as pessoas precisam se sentir aceitas e acreditam que, para isso, precisam acompanhar o ritmo, os interesses, as escolhas e as ações da maioria. É assim na vida, é assim na escola.

Na medida em que nossa consciência vai se ampliando, novos sentimentos despertam, novos valores, novos olhares surgem. E, de repente, a diferença ganha um novo significado, uma nova força. Passa a fazer todo o sentido!!!

Hoje, precisamos nos unir não mais para detectar e apontar o que vemos de errado no outro, de diferente, de esquisito, tentando resolver o “problema” e nos enquadrar em modelos pré-fabricados que nos vão sendo passados de geração a geração como corretos, e que acabam sempre excluindo alguém e gerando competição.

Precisamos nos unir para fazer de cada história individual (com seus “problemas” e alegrias) uma oportunidade de aprendizado coletivo. Ver em cada criança o nosso próprio filho, ver em cada pai e mãe, em cada educador, um pouco de nós mesmos. E isso deve ser feito também nas escolas, com a promoção do auto-conhecimento, trabalhando não apenas os aspectos físico e cognitivo, com conteúdos e mais conteúdos escolares (muitos deles bem questionáveis e sem sentido), mas também as emoções e a espiritualidade (desvinculada de religiões).

A escola dos meus sonhos conecta a vida de um com a vida de todos, e também com a vida e sustentabilidade do planeta. É uma escola também de pais e educadores que participam e se envolvem juntos na vida escolar de seus filhos, que falam de seus medos e dificuldades abertamente, que resolvem conflitos e criam soluções com a participação e colaboração conjunta em todos os âmbitos da escola. Todos são alunos e todos são professores. Há muito respeito e amor à individualidade de cada um, e tudo faz sentido!!!

  Não é esse modelo de escola que eu vejo na prática por aí, mas é esse modelo que eu desejo ajudar a construir, com profundo amor e gratidão à vida e a todos aqueles mestres que nos deram seus modelos de uma educação mais profunda e transformadora! Eu sinto que essa escola dos meus sonhos já existe, porque o futuro é a realização do que fazemos hoje! Vamos nos unir?

Sou a Raquel, mãe do Davi (7 anos) e já me uni à Luciana Celia, à Helenise, à Elis, à Glaucia, à Fernanda e a muitas outras mães maravilhosas que seguem seus instintos maternos e, principalmente, a luz de seus filhos!!! Desejo a todos vocês uma melhor maneira de Ser e fazer parte de uma escola!

Texto escrito por Raquel Bersch

“Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido”. (Rubem Alves)