Desde sempre fui encantada pelo mundo infantil e o arquétipo da grande mãe sempre pulsou forte dentro de mim. Quando fui morar com o meu atual marido em 2004, todos pensaram que logo viria um bebê, por conta deste fascínio. Embora a vontade estivesse presente, sabia que a responsabilidade era grande e resolvi seguir a minha intuição. Somente quase quatro anos mais tarde quando uma voz interna disse: está pronta, engravidei pela primeira vez.

Parecia um sonho muito mágico e especial. Mas infelizmente na terceira ecografia no dia 18 de maio de 2009, com toda a família reunida, descobri que a gestação estava interrompida em nove semanas. Passado o trauma e ressignificando o ocorrido, sabia que seria mãe novamente e, então, em 2010, também num dia 18, mas dessa vez em agosto, nascia a Ana Clara e, com ela, nascia uma mulher forte e guerreira que eu mesma desconhecia. Estava mais do que ganhando uma nova oportunidade, estava realmente fazendo uma travessia para ser uma nova mulher.

Com a Ana Clara ressignifiquei muita coisa em minha vida e aprendi ao olhar atento ir percebendo como eu deveria agir com ela, mais do que os livros me diziam. Compreendi mais também os anseios de minha mãe. Aprendi a sair do “meu umbigo” e a compartilhar mais. Nela também me enxerguei refletida nas minhas luzes e também sombras e com isso a motivação a me debruçar mais fortemente no meu autoconhecimento e despertar aquilo que com os anos fora se “apagando”. Quando a Ana Clara estava fazendo um aninho, descobri que o segundo filho que eu havia previsto a vir após um ano já estava a caminho. O susto foi grande, mas a felicidade foi maior ainda. Já sabia o que era ser mãe, então o amor incondicional foi instantâneo.  A Valentina viria ao mundo no dia 29 de junho de 2012 e, com ela, toda a doçura e mais aprendizado. Filhos, nossos “pequenos” grandes mestres que vêm para abalar as nossas estruturas e abrir ainda mais o nosso coração.

Na minha adolescência, tinha um sonho de que um dia eu teria um espaço educacional “diferente”. Então me tornei professora de Biologia, pois também acreditava que esta formação me traria muitas respostas sobre os mistérios do universo e da vida. E assim fui indo, trilhando muitos desafios numa escola já muito ultrapassada e muitas vezes ouvindo colegas que me diziam que fazer uma educação “diferente” era entusiasmo de principiante.

Fiz uma formação em psicologia transpessoal, que foi um marco em minha vida, pois tudo aquilo que vinha buscando reacender dentro de mim aconteceu em grande parte. E desde o ano passado venho escrevendo, estudando e acessando pessoas que já fazem esta escola diferente, pois decidi fortemente que o momento de concretizar era agora. A partir daí as coisas começaram a acontecer como numa “avalanche”, tenho recebido materiais incríveis, incentivo e muitas inspirações.

Para completar as “sincronicidades”, fui a um encontro de última hora na Floricultura Winge com a Ingrid Cañete, sem nem saber ao certo qual seria a pauta. Chegando lá falei um pouco de mim e de meus propósitos de vida e, ao ouvir uma das integrantes do encontro, Luciana Celia, percebi que ela falava exatamente do mesmo sonho de escola, com as mesmas escolas de referência e pessoas da área, então pensei: Esta é ela ou sou eu.

 Para completar a minha alegria e a certeza de que tem algo por traz muito maior do que possamos compreender e imaginar, agora faço parte de uma equipe maravilhosa de pessoas que sonham com uma educação baseada no amor, na autonomia, na diversidade, na possibilidade de expressar o seu ser, suas múltiplas potencialidades, plenos nas suas diversas dimensões, por uma educação fraterna e holística.

A nova escola de Porto Alegre está a caminho…

Texto escrito por Elis Rosa Lima