Louise

Não foi o amor pela educação que me levou a tirar meus três filhos da escola e começar a busca por uma nova escola. Foi a dor. A dor de ver meu filho mais velho dizer todo santo dia “eu odeio aquele lugar”. A dor de vê-lo ter dores de estômago na véspera da volta às aulas. A dor de vê-lo vomitando no banheiro enquanto a buzina do transporte escolar tocava na frente de casa. Doía ouvir: “Mãe tá acontecendo de novo! Eles estão me incomodando de novo!” Foram 3 anos de bullying.

Mas quando decidi que eles não iriam mais para a escola, comecei a pesquisar outras formas de educação e conheci famílias que levantavam outros problemas, dos quais, até então, não tinha me dado conta. Tão graves quanto a violência. Vou citar apenas três:

1) O conteudismo. Preparar as crianças para o futuro. Quanto mais conteúdo ela souber, melhor. Visitei escolas em que crianças de 4 anos já tinham na sua lista de material escolar livros de português e matemática. Oi? Perguntei o porquê e foi-me dito que isso já era uma preparação para o tão competitivo mercado de trabalho. Socar informação na mente dos alunos para passarem na prova, para depois passarem no vestibular, para depois passarem no concurso e por aí vai. Gastar anos decorando informações que não serão usadas, a não ser para passar em provas. Que sentido tem isso?

2) A padronização. Quem nunca ouviu “Seu filho não está acompanhando a turma” ou “Seu filho está muito adiantado”? Cada criança é única, mas é impossível, numa turma de 20 alunos, o trabalho baseado no respeito e na individualidade. O programa pedagógico não permite. A criança não tem tempo e nem recebe ajuda para se conhecer, identificar seus interesses, experimentar. Ela precisa aprender o que os adultos acham importante e se preparar para a vida. Uma fábrica de adultos limitados que se esforçam apenas para “passar por média”. Belo treino. Thiago Berto diz: “As crianças são os verdadeiros mestres”. Ana Thomaz afirma: “Nenhum plano que nós fizermos para eles será tão bom quanto o que eles próprios fizerem”.

3) A morte da criatividade. As crianças nascem com a criatividade à flor da pele. Muito intensa. Mas assim que elas começam a frequentar a escola, o brilho no olho se apaga. Porque agora não é hora disso, Pedrinho! É hora de separar as sílabas. Mas eu quero saber por que as folhas das plantas são verdes. Agora não! Imaginem quanta força de vontade uma pessoa tem que ter para se manter interessada ouvindo isso anos a fio. Poucos têm essa fibra.

Busquei por uma escola que, no mínimo, respeitasse a individualidade e trabalhasse os interesses dos meus filhos. Mas não encontrei.

Então, o que nos impede de construir uma escola com novos valores? O que nos impede de colocar de pé uma escola onde nossos filhos sejam felizes? Como isso pode ser feito? Você está disposto a participar dessa construção?

Com carinho, deixo essas perguntas para pensarmos juntos. Quero muito ouvir suas ideias aqui nos comentários!

Texto escrito por Louise Superti