Thiago

Antes de uma nova educação e pedagogia, precisamos de um novo adulto.

Tudo o que desejamos que mude, em nosso meio, nossa sociedade, “fora de nós”, está ali fazendo um papel importante a ser honrado em nosso caminho evolutivo como espécie, como civilização, como espíritos. Tudo o que consideramos ruim, como um governante corrupto, um sistema de ensino falho, um modelo econômico injusto, um relacionamento frustrado, está aí pulsando como um alarme em nossa vida e pedindo atenção, como dizendo: “olhe para mim, me reconheça, e perceba que já não precisa mais de mim, que já pode seguir adiante para outras experiências e aprendizados”.

O universo nos presenteia com espelhos para que, passo a passo tomemos consciência que a mudança é interna. Reconhecer que o que está fora, e pode parecer mal, é um convite para um olhar para dentro. E aí entra minha visão que com carinho quero compartilhar de uma nova educação.

Tudo está conectado. Hermes Trimegisto disse que o que está em cima, está embaixo, o que está fora, está dentro. Seres humanos conscientes de sua necessidade de uma viagem interna, de melhorarem a si mesmos, de reconhecerem a suas sombras, de serem maestros de suas próprias vidas, vão muito naturalmente expressar uma nova realidade em todos os pilares de nossa sociedade. Tudo que aí está é uma expressão do absoluto, do um, do mesmo “todo”.

Platão dizia que ninguém pode governar um estado, se não governa a si mesmo. E assim faço uma ponte com a educação. A nova educação, parte muito antes de uma nova abordagem de ensino, outra pedagogia ou na escolha, se o correto é foco no aluno ou no professor. A nova educação parte do ponto inicial de todas as mudanças. O ser humano. Que se sente conectado com o todo, que se sente intimamente responsável e honra tudo que está em sua volta. E que ao sentir-se conectado naturalmente percebe que há de deixar as coisas, os outros, apenas serem. E assim começamos a expressar na prática uma das faces do que viemos aprender, o amor, o não controlar, o deixar livre, deixar “ser”.

Se nos sentimos honrados e conectados com a natureza, deixamos a natureza ser, se nos sentimos conectados e honramos os animais, deixamos eles serem o que são, e muito importante, se nos percebemos todos como uma mesma família divina, espiritual, experimentando e procurando juntos evoluir nesse plano, vamos ser agradecidos, e honrar todos humanos, a começar pelas crianças. E então, deixemos as crianças serem! Pois o que as crianças são? São nossos mestres, em uma expressão espiritual, pequenos “Budas”, “Cristos” , pequenos gênios, sim, como um Da Vinci, como um Mozart.

O novo educador, é um novo ser humano, que confia, que tem uma fé cheia de coragem e que aceita perder o controle. Que sabe que as crianças vão aprender o que devem aprender, que tudo é permeado de uma sabedoria e perfeição. O novo educador entende o quão sagrado é, e é grato por estar aqui. E então olha para as crianças, e as honra. As permite expressar sua natureza, seus propósitos como espíritos conscientes de sua existência. O novo educador é um guardião dos locais onde essas crianças se reúnem para experimentar, brincar, aprender, se expressar.
Olhe para si, encontre seu eu, esteja em paz, e expresse esse estado equânime ao teu redor.

Thiago Berto