Sou Cristiane, mãe do João Pedro (14), Ana Carolina (9) e Antônio (7) e esposa do Elton. Há anos, vivia num mundo onde tentava me encaixar em padrões definidos pela maioria da sociedade normótica, pois queria me sentir aceita e amada. Para isso, formei máscaras com pseudossoluções através das quais tentava controlar tudo e ter tudo. Minha máscara ficava satisfeita quando eu tinha o que queria; o mundo do TER me satisfazia no momento, mas tinha um lado dentro de mim que dizia não estar bom. Fiquei muito frustrada e assustada quando vi que não teria TUDO o que queria. Estava me sentindo derrotada, sem saída. Já não sabia mais nada, quem eu era, ou o que queria. O primeiro passo foi chorar, depois aceitar e acolher o não sei.

Aos poucos, fui renascendo e descobri algumas coisas. Descobri, por exemplo, que somos diferentes como seres humanos, mas temos também muitas coisas em comum. Descobri que meu corpo é o meu templo onde vivem minha alma e minha consciência. Esse lugar sagrado precisa de muitos cuidados.

Para começar a cuidar desse templo, tratei de recuperar o meu físico, cuidando da alimentação e praticando exercícios, meditação, descansando o necessário e observando diariamente o meu funcionamento. E foi aí que descobri minha missão. Agora sou terapeuta Ayurvédica em formação e Educadora de Saúde Integral.

Com esse novo entendimento da realidade, comecei a ter um outro olhar para a forma como a escola funciona e acabei percebendo que essa instituição vive dentro de um molde. Nele, as crianças não aprendem a  se descobrir como seres humanos, a formar suas opiniões, a criar e a aprender a partir de suas intenções e interesses. Pouco aprendem sobre a escuta, sobre as individualidades e as diferenças. E, quando aparecem as diferenças, não sabem lidar com elas. As crianças são enquadradas para aprenderem uma infinidade de coisas das quais nunca vão precisar e aprendem muito pouco ou nada sobre elas mesmas.

Aulas de consciência corporal, aulas de culinária e aulas sobre rotina diária são três grandes exemplos de atividades educacionais que, no meu ponto de vista, deveriam constar dos programas escolares. As escolas dão pouco ou nenhum espaço para esses assuntos.

Você deve estar se perguntando sobre as razões dessas atividades. Bem, em primeiro lugar, a consciência corporal de cada indivíduo, através do autoconhecimento, é essencial para compreender o que vai se modificando com o crescimento, com a vida. Em segundo lugar, temos a alimentação que deve ter um espaço eterno de máxima importância na vida das pessoas. É preciso entender que o alimento é aquilo que nos forma, que forma o nosso corpo. Isto é o mais importante: devemos escolher nosso alimento para que equilibre nossas necessidades. E isso varia com a pessoa, com a idade, com o clima, com o alimento que está à nossa disposição conforme a época do ano. Além disso, tem que ser saboroso; este é o segredo: alimento que nos forma e nos mantém, com sabor. Em terceiro lugar, temos a rotina diária, que é um assunto de muita dificuldade no mundo de hoje pois a maioria das pessoas passa o dia correndo. E me refiro aqui à higiene, às necessidades fisiológicas, aos horários das refeições, aos exercícios, ao trabalho, ao brinquedo, à meditação, ao relaxamento, ao sono.

Enfim, com essa nova consciência, busco agora uma escola que acolha os meus filhos como seres humanos diferentes, mas não desiguais, e que os ajude a descobrir os seus caminhos e seus talentos com AMOR. Descobri, com muita alegria, que não estou sozinha; o mundo já está cheio de pessoas maravilhosas e diferenciadas em busca desse sonho. O sonho está se tornando realidade…

Texto escrito por Cristiane Jung Abarno Dias