Já é passada uma semana do nosso encontro com José Pacheco, e nem tivemos tempo de respirar para escrever um pouco sobre o evento que lotou o auditório do Ministério Público na última terça-feira (29/09). O que podemos dizer desse que foi um evento lindo?

Foi um encontro, um verdadeiro encontro de pessoas em comunhão na busca por transformação pessoal, social e educacional. O promotor Eduardo Viegas deu início às apresentações, falando brevemente sobre o Movimento pela Paz Sepé Tiaraju. Na sequência, o Projeto Mães de uma Nova Escola e o Projeto Pensação (este último idealizado por jovens do ensino público e privado) foram apresentados aos presentes. Para finalizar com chave de ouro, houve a fala tão esperada do professor José Pacheco que, como sempre, iniciou sua apresentação com abertura para perguntas.

Gratidão é pouco o que sentimos naquela noite. Nossos corações, desde então, transbordam de amor, alegria e esperança!

Se tem algo que os membros de nosso grupo têm em comum é amor e foco.  E sabemos que o amor com foco move montanhas!  Que o diga o Professor José Pacheco!

Agimos pelo coração e estamos recebendo uma onda de receptividade impressionante de pessoas e órgãos públicos e privados, que, acreditamos, são tocados por este sentimento maior. Novas conexões são feitas a cada dia e nossa rede se expande. José Pacheco sempre nos traz inspiração e objetividade amorosa. Não é à toa que muitos o admiram! Não é à toa que sua simples presença movimenta, faz fluir novas energias…

Para os que não puderam estar presentes, deixamos abaixo um relato das impressões de uma participante do encontro, Greice Maia Dos Reis, mãe amorosa, que nos autorizou a compartilhar seus registros,os quais, resumidamente muito bem colocados, refletem com emoção muito do que gostaríamos de expressar a todos.

Obrigada, Greice! Estamos todos juntos neste processo de transformação!!!

 

NOTAS SOBRE O ENCONTRO COM JOSÉ PACHECO.
“Ansiosos para o grande momento de encontrar José Pacheco (sim, foi um encontro) e ouvir de pertinho, com todas as vibrações que a palavra falada em tempo real nos proporciona, chegamos cedo. Não por acaso, escolhemos a fileira da frente, tamanha era a vontade e a expectativa de olhar de perto aquele homem que admiramos, por sua trajetória, por sua história de vida e sua grande influência no tocante a uma nova forma de educação.
É o idealizador e um dos fundadores da Escola da Ponte em Portugal, onde não existem paredes dividindo alunos por idade, onde não existem avaliações, grade curricular; onde existe apenas o mais profundo respeito às diferenças e à essência de cada indivíduo – uma escola sem aulas e sem professor (e, sim, com orientadores). 
Antes do momento ‘José Pacheco’, ouvimos as criadoras do Projeto Mães de uma Nova Escola; dinâmicas foram feitas, e perguntas acerca do nosso ideal de escola foram respondidas. 
Ouvimos também dois jovens estudantes – um, de escola pública, outro, de uma escola particular – ambos co-criadores do projeto Pensação, que visa mudar a forma de ensino nas escolas (!). Foi um momento muito importante, pois conseguimos sentir, acredito que de forma geral, que não estamos sozinhos e, se somos loucos, somos muitos loucos começando a nos unir!
Nossa ansiedade foi diminuindo enquanto a grandeza daquele encontro fluía. Finalmente, chegou o momento de ouvir José Pacheco. E o que se sentia? Paz, esperança, silêncio e atenção à sua chegada. Em passos lentos e com ajuda, ele se posicionou, abriu um sorriso acolhedor e surpreendendo a muitos disse: “O que vocês querem saber? Vocês perguntam e eu respondo.” 
Sim, fomos obrigados a pensar, por nós mesmos. Sem roteiro e sem garantias, ele deu início ao seu momento ali. A primeira pergunta veio de uma jovem estudante de medicina: “Podemos fazer esta forma de ensino na universidade?”
Pacheco exclamou que ‘’ a Universidade é o maior dos problemas, mas também a solução (se mudar). A universidade brasileira é medieval, ainda temos o magnífico REItor’’. (risos) Contou sobre sua experiência de 13 anos como professor acadêmico e como a forma de ensino dentro das universidades o assustava e ainda o assusta. Fez uma crítica a respeito do vestibular e à sua forma de segregação. ‘’Uma universidade é uma UNIVERSIDADE, É UNIVERSAL. Não pode fazer Darwinismo social! ‘’
Através de relatos sobre sua experiência acadêmica como mestre, mostrou-nos, de forma simples e direta, que nosso sistema educacional é falido, sempre foi. Contou que se negava a preparar aulas e afirma ‘’Ninguém aprende com aula’’. Em seus encontros com seus alunos, MUITOS alunos ( por não gostar dessa segregação, chegou a ter o triplo de alunos dentro de sua sala; ele permitia o acesso aos alunos que nem mesmo estavam matriculados na universidade onde lecionava), ele perguntava: “O que querem saber hoje? Por que querem saber isto?”

José Pacheco crê profundamente que a educação não pode ser algo obrigatório, mas deve ser algo genuíno, em que os indivíduos precisam escolher e ser autônomos. Por duas vezes, durante o encontro, mencionou seu estranhamento ao ver salas de aulas universitárias cheias e as bibliotecas vazias. ‘’A Biblioteca é um lugar perigoso no Brasil,’’ diz ele. Para Pacheco, as universidades formam papagaios, enquanto o que se quer é produção de conhecimento. “Temos papagaios arrogantes, uma arrogância baseada na tradição sem sentido.”
Através de uma ferrenha crítica ao sistema, falou aquilo que todos estamos cansados de saber, mas ele gritou, anunciou tudo o que temos medo de admitir. Não sabemos nada (ou quase nada) do que fomos obrigados a fingir que aprendemos. Sofremos uma overdose de matérias, que odiamos, um dia antes de fazermos a prova. No dia do teste, vomitamos o que foi “aprendido” e, no dia seguinte, já não nos resta nada.
Um rapaz, que também estava sentado na fileira da frente, mencionou a violência na escola. Para responder a essa pergunta, o grande educador nos fez várias outras, começando com: “Qual das violências?” Ele relatou, de forma testemunhal, a vida pesada, triste e cruel que alunos do Projeto Âncora (projeto auxiliado por ele em Cotia, SP) têm e/ou tiveram. Foi comovente, mas real, e naquele momento ele não pensou em nos poupar dos detalhes, talvez por pensar que já somos poupados demais. E tem razão. E para concluir a resposta à pergunta feita, ele acrescentou: ‘’Temos uma política educativa violenta’’.
Os despertares eram tantos que não podíamos piscar sem ter aquela impressão de que estávamos perdendo algo importante. Consegui, com muito esforço, fazer estes relatos e anotar impressões: José Pacheco fala aquilo que sente; ele é aquilo que sente e ele faz.

Deixo aqui algumas frases, entre tantas de impacto já citadas acima: ‘’A escola que dá aula no século 21 é um escândalo. É contra a lei! ‘’ ‘’SOMOS TODOS DIFERENTES’’.

Suas palavras finais ainda ecoam em nossas mentes: “ESCOLAS SÃO PESSOAS E AS PESSOAS SÃO VALORES”.

GRATIDÃO A TODOS OS PRESENTES QUE FIZERAM DESTE ENCONTRO UM MOMENTO VERDADEIRAMENTE ESPECIAL!!!