Hoje, o sistema escolar não atinge o coração da maioria dos alunos, não consegue alicerçar-se numa motivação capaz de mover o aluno a ter satisfação e alegria por estar na escola. Se perguntarmos aos alunos: “O que você mais gosta na escola?” A resposta é quase sempre: “O recreio”.

Como assim? Aulas preparadas e embasadas em tantas teorias e horas de estudo por parte de toda a equipe da escola. E os alunos gostam mais do recreio…

Considerado um dos principais idealizadores das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20, Anísio Teixeira, já trazia outros ideais pra Educação no Brasil. Este educador lutava por uma ESCOLA NOVA, com novas responsabilidades, ou seja, educar em vez de instruir; formar homens livres em vez de homens dóceis, preparar para um futuro incerto em vez de transmitir intensamente o passado e ensinar a viver com mais inteligência, mais tolerância e mais felicidade. Para isso, trabalhava para reformar a escola, começando por dar a ela uma nova visão!

Aproximei-me das ideias de Anísio Teixeira há muito pouco tempo e tive uma identificação profunda com os ideais deste Educador. Senti-me feliz por alguém ter plantado sementes de uma escola nova, lá entre as décadas de 1920 e 1930.

É com profundo amor que penso em Educação e é como quem busca algo sagrado que busco uma Nova Escola!

Uma Nova Escola transformadora… onde a aprendizagem é sentida e compartilhada como uma responsabilidade coletiva que acontece em todos os lugares, em todos os momentos, com todas as pessoas. Uma escola que amplie sua forma de acontecer, que ultrapasse os muros altos e os portões cadeados, autorizando-se a viver em comunidade, pois como diz a Juliana Corullon: O mundo é uma escola!

A transformação deve ocorrer não somente no que se refere à aprendizagem, mas principalmente, no que diz respeito às pessoas e às relações! Que estas tenham como premissa a reconstituição dos papéis, onde a hierarquia deixe de existir e a cooperação possa ocupar o lugar da competição, do pouco entendimento e da punição! É necessário reconstituir o papel do adulto que se coloca na posição de detentor do poder e do saber e que, muitas vezes, deixa de aprender com seu aluno que com muita espontaneidade é SÁBIO.

Neste contexto, sabe-se que o processo de transformação deve primeiro ser individual, por isso, é vital que haja uma mobilização de toda a comunidade escolar. E através de um planejamento sério e intenso, que a comunidade escolar deve encontrar estratégias e alternativas para que cada um reconheça a si mesmo, o que pode fazer para ser mais feliz e compartilhar esta felicidade com todos, reflita qual seu papel na sociedade, o que pode fazer para melhorar o mundo em que está.

Lembrando do educador brasileiro, Lauro de Oliveira Lima: “O homem está em permanente reconstrução, por isso é livre: liberdade é o direito de transforma-se.”

Uma Nova Escola democrática… que desperte o desejo da criança em aprender com autonomia. Que a escola autorize o que o aluno tem por direito: ser PROTAGONISTA de seu processo de aprendizagem. E que o adulto possa se reconhecer verdadeiramente como mediador, buscando e instigando o conhecimento dos alunos a partir dos interesses destes.

Um escola democrática atua com sabedoria quando não mantém o foco no ensino da autonomia, mas na vivência desta! Incentivando o trabalho coletivo, onde a responsabilidade é de todos por tudo.

Com a premissa de que cada um se sinta digno de participar e de contribuir (de verdade) para um mundo melhor, mais humano e pacificador.

E aqui, fortemente lembro de Anísio Teixeira, quando dizia: “Como não aprendemos tudo o que praticamos, e sim aquilo que nos dá satisfação, o interesse do aluno deve orientar o que ele vai aprender. Portanto, é preciso que ele escolha suas atividades.”

Uma Nova Escola que considere o ser integral… onde a educação se dê a partir de valores humanos, fundamentada no conhecimento das leis que regem a vida e a integração desta com todas as áreas: afetiva, social, ambiental, física,…

Reconhecer o ser integral é primar pelos saberes compartilhados, gerando a convivência e a troca entre toda a comunidade, reconhecendo que todos os espaços são espaços potenciais para aprendizagem, ressignificando e articulando ações com a sociedade.

Afinal, segundo José Pacheco: “O limite da aprendizagem é o planeta”.

Por: Luciana Celia

P.S.: Este texto foi escrito e publicado no blog: O Mundo é uma Escola, a convite da educadora Juliana Corullon. Para quem ainda não conhece o blog, vale à pena conferir!

O Mundo é uma escola foi criado para reunir educadores, estudantes e profissionais, pais e mães que sonham e buscam uma educação humanizada, libertadora, potente, amorosa e  respeitosa, pelo viés do autoconhecimento e da transformação interna, e para ver refletido no cotidiano, o mundo que queremos na relação que estabelecemos conosco, com os outros e com o mundo.